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China usa novas tecnologias para bloquear sites censurados no país

As autoridades chinesas parecem estar reforçando o controle sobre os serviços de internet que conseguem transpor o chamado "Grande Firewall da China", trocadilho com a Grande Muralha da China usado para se referir ao sistema de censura que impede o acesso a certas formas de conteúdo on-line.
Tanto empresas quanto indivíduos estão sendo prejudicados por uma nova tecnologia empregada pelo governo chinês para controlar o que as pessoas leem na web.

Chineses usam lan house em Taiyuan, norte da China

Diversas empresas que fornecem serviços de VPN ("redes virtuais privadas", na sigla em inglês) a usuários na China dizem que o novo sistema é capaz de "aprender, detectar e bloquear" os métodos de comunicação cifrada usados por diversos sistemas distintos de VPN.
A China Unicom, uma das maiores provedoras chinesas de serviços de telecomunicação, agora vem cortando as conexões nas quais seja detectado o uso de VPNs, de acordo com um prestador desse tipo de serviço que tem diversos clientes na China.
Os sistemas de VPN cifram as comunicações entre dois pontos, para que os dados transmitidos não possam ser lidos -mesmo que sejam interceptados.
Uma conexão via VPN de dentro da China para o exterior significa que a conexão do usuário à internet começa, na realidade, do lado de lá do "Grande Firewall".
Essa técnica oferece, em teoria, acesso a vastos volumes de informações e grande número de sites que o governo chinês censura, incluindo diversas páginas de veículos de mídia ocidentais, além de serviços on-line como o Twitter, o Facebook e o Google.
Usuários chineses vinham suspeitando desde maio de 2011 que o governo do país estava tentando bloquear o uso de VPNs, e agora os provedores desse tipo de serviço começam a sentir o efeito.
A Astrill, que fornece serviços de VPN dentro e fora da China, enviou um e-mail a seus usuários para alertá-los de que o sistema de censura chinês está bloqueando pelo menos quatro dos protocolos comumente usados por VPNs, o que significa que esses serviços não funcionam.
"Essa atualização no firewall chinês prejudica muito os negócios no país", afirma a empresa, em nota.
"Acreditamos que o ministro chinês que responde pela censura seja um homem inteligente, que esse bloqueio será removido e que as coisas voltarão ao normal."
No entanto, a companhia acrescentou ainda que tentar se antecipar aos movimentos dos censores é um "jogo de gato e rato" --e que está trabalhando em um sistema que tornará possível contornar o sistema de detecção.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fonte: Folha de S.Paulo

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